Será que na hora de buscar uma mudança residencial, os brasileiros tendem a trocar uma casa por um apartamento? Ou o mais normal é justamente o oposto?
Os dados exclusivos coletados pelo Muda Muda em mais de 148.427 pedidos de mudança registrados na plataforma entre maio de 2024 e abril de 2026, permitem chegar a algumas conclusões inéditas a respeito do real fluxo entre apartamentos e casas no Brasil. E prepare-se para uma descoberta surpreendente: a enorme assimetria entre as duas opções. Um sentido domina, e o outro é quase uma exceção.

A maior parte das pessoas costumam trocar um apartamento por outro apartamento, ou uma casa por outra casa. Mas quando a decisão é por trocar um pelo outro, surge a grande surpresa.
Contrariando qualquer expectativa, os dados coletados pelo Muda Muda nestes dois anos demonstram claramente que, de cada 100 pedidos de mudança registrados no Muda Muda, 20 partem de um apartamento e chegam a uma casa. E apenas 1 faz o caminho inverso. A proporção entre os dois fluxos é de 21 para 1, ou seja, foram 29.821 mudanças de apartamento para casa contra 1.390 de casa para apartamento.
Outra questão que chama bastante a atenção nesse fluxo é a natureza do movimento de apartamento para casa: 80,7% dessas 29.821 mudanças envolvem troca de cidade, e 51,8% cruzam fronteira de estado. Quem sai de um apartamento para uma casa raramente encontra essa casa na mesma cidade. Na maioria dos casos, a mudança de tipo de imóvel é também uma mudança de cidade e, com frequência, de estado.

Além do fluxo, a base do Muda Muda permite comparar a composição das mudanças entre os dois perfis de imóvel. Os 89.925 pedidos com origem em apartamento e os 58.552 com origem em casa produzem inventários bastante distintos em vários itens.
O botijão de gás aparece em 29,8% dos pedidos com origem em casa, contra 10,6% dos de apartamento. A diferença de 19,2 pontos percentuais é a maior de todos os itens analisados e reflete a infraestrutura dos imóveis: prédios residenciais nas grandes cidades tendem a ter gás encanado coletivo; casas, especialmente fora dos centros urbanos, dependem do botijão portátil.
O fogão de 6 bocas segue a mesma lógica. Com frequência de 9,6% nas mudanças de casa contra 4,6% nas de apartamento, ele aponta para uma cozinha com mais espaço, mais gente cozinhando e um equipamento que vai junto porque foi comprado para durar.
O sofá é o item com maior diferença favorável ao apartamento: presente em 57,0% dos pedidos de apartamento contra 47,8% dos de casa. Isso pode parecer contraintuitivo, mas tem uma explicação razoável nos dados: em casas maiores, o sofá envelhece mais, é trocado com menos frequência e com mais chance de ficar para o próximo morador ou ser descartado. No apartamento compacto, o sofá é o móvel principal da sala e tem mais razão de ser levado.
A escrivaninha reforça o perfil do apartamento urbano. Com 19,9% de frequência nos pedidos de apartamento contra 12,8% nos de casa, ela é um marcador do home office em imóveis menores. Em uma casa com mais cômodos, o escritório ocupa um quarto inteiro sem que a escrivaninha apareça como item central da mudança. No apartamento de 60 metros quadrados, a escrivaninha é o escritório.
Entre todos os itens com diferença relevante entre os dois perfis, a adega é o único de perfil aspiracional que aparece com maior frequência em apartamentos: 3,8% contra 1,8% nas casas. Ela ocupa pouco espaço, guarda um objeto de valor e se encaixa melhor no perfil do morador urbano de imóvel vertical. A distribuição por estado confirma: os estados com maior taxa de adega nas listas são exatamente os que têm maior proporção de apartamentos na base, com o Distrito Federal liderando com 3,59% dos pedidos.
Com 63,6% de frequência nos pedidos de apartamento e 61,2% nos de casa, a diferença de 2,4 pontos percentuais está dentro do intervalo de variação natural da base. A geladeira vai junto sempre, independentemente de o imóvel ter gás encanado, área de serviço separada ou quintal.
A análise da base do Muda Muda identifica padrões, mas não causalidades. Que o aspirador seja mais frequente em mudanças de apartamento não prova que moradores de apartamento são mais cuidadosos com a limpeza: pode significar simplesmente que os pisos de apartamento se beneficiam mais desse equipamento, ou que o perfil de renda médio dos pedidos de apartamento na base seja diferente do de casas. O mesmo vale para a adega, para a escrivaninha e para o guarda-roupa maior nas casas.
Da mesma forma, a assimetria de 21 para 1 entre os fluxos apartamento-para-casa e casa-para-apartamento não é um dado de pesquisa de intenção de compra, nem uma projeção demográfica. São pedidos reais de pessoas que já decidiram se mudar e estão procurando transporte. O dado captura um comportamento concreto, não uma preferência declarada em questionário.
Ele aponta para um mercado em que a casa, com mais espaço e mais área externa, segue sendo o destino da maior parte de quem tem condição de escolher.
O que os dados na verdade fazem com precisão é medir o que os brasileiros declaram levar quando se mudam. E essa declaração, repetida em 148.427 pedidos ao longo de dois anos, revela que apartamento e casa são mais do que tipos de imóvel: são dois estilos de vida com inventários distintos, que se encontram apenas na geladeira, na televisão e na cama de casal.
Metodologia: Esta análise considera 148.427 pedidos de mudança residencial com tipo de imóvel de origem e destino declarados (Apartamento ou Casa), registrados no Muda Muda entre maio de 2024 e abril de 2026. Os dados representam pedidos cadastrados na plataforma e não o universo total de mudanças realizadas no país.
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E você, tem mais alguma dica como estas? Mande pro Muda Muda e ajude mais gente a ter uma mudança muito mais tranquila!